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quinta-feira, 2 de abril de 2015

O que me faz falta fazer na vida é o resto dos meus filmes, que são bastantes(Manoel de Oliveira)Morreu hoje

Manoel de Oliveira: Do mudo ao digital, do Douro às passadeiras vermelhas

“O que me falta fazer na vida é o resto dos meus filmes, que são bastantes”.
Ver Filmografia ↓
É, consoante as opiniões, o símbolo do melhor ou do pior no cinema português, o criador de filmes que conquistaram os festivais e a crítica internacional mas que não conseguiram seduzir os espectadores do próprio país. Marca de resistência às modas e às tendências estéticas e políticas, o cinema mundial não tem nada igual a Manoel de Oliveira.



É o realizador português mais conhecido internacionalmente na história do cinema, e certamente o cineasta que conseguiu ter uma carreira mais profícua e celebrada após os 75 anos, idade em que a maioria começa a retirar-se da profissão ou a perder a relevância.



Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu no dia 11 de dezembro em 1908, no seio de uma família da burguesia industrial do Porto, 13 anos após o nascimento do cinema.



O primeiro contacto com a Sétima Arte foi como ator, quando aos 19 anos fez figuração no filme "Fátima Milagrosa", de Rino Lupo.



A paixão pelo cinema rivalizava com o gosto pelo atletismo (foi campeão de salto à vara) e pelo automobilismo, modalidade em que conquistou alguns prémios. "Douro, Faina Fluvial", uma curta-metragem documental sobre a vida nas margens do rio Douro, foi o primeiro filme que Manoel de Oliveira rodou, então com 23 anos, com uma câmara oferecida pelo pai.



A estreia desse filme aconteceu a 19 de setembro de 1931, no mesmo dia em que morreu Aurélio da Paz dos Reis, considerado o pai do cinema português.



Hoje, a película é largamente elogiada, quase unanimemente considerada uma obra-prima, mas na altura foi mal recebida pelo público, tal como "Aniki-Bobó", o seu primeiro filme de ficção, estreado em 1942.



A falta de apoios financeiros levou-o a deixar o cinema até 1956, quando estreou a curta-metragem "O Pintor e a Cidade", o seu primeiro filme a cores.



As conquistas com o público e a crítica



A primeira grande conquista junto do público ocorreu na década de 1960 depois de "O Acto da Primavera", em 1962, ano em que foi detido pela PIDE, numa sessão pública de apresentação do filme, no Porto.



Foi também com "O Acto da Primavera" que Oliveira recebeu o Grande Prémio do Festival de Cinema de Siena, em Itália, em 1964. Um ano depois a Cinemateca Francesa rendeu-lhe uma homenagem com uma retrospetiva.



Nos anos 1970 a sua carreira começou a acelerar em termos de produtividade e a ascender no que diz respeito a receção internacional: é a época da sua incontornável "tetralogia dos amores frustrados", com "O Passado e o Presente" (1971), "Benilde ou a Virgem Mãe" (1975), "Amor de Perdição" (1978) e "Francisca" (1981).



Em 1985, com 77 anos, recebeu o "Leão de Ouro" do Festival de Veneza, em Itália, e em 1989 foi condecorado pelo então Presidente da República, Mário Soares, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique.



Uma carreira que aumentou depois dos 80 anos



«Non, ou a Vã Glória de Mandar», uma visão sobre a identidade portuguesa a partir da revolução de 25 de Abril de 1974, abriu uma nova etapa na filmografia de Oliveira, que a partir de então acelerou a sua produção cinematográfica para um nível impensável décadas antes, que manteve até ao fim e que lhe permitiu estrear cerca de uma longa-metragem por ano.



Entre esses filmes estão o autobiográfico «Viagem ao Princípio do Mundo» (1997), com Marcelo Mastroianni, «Palavra e Utopia» (2000), sobre o Padre António Manuel Vieira, «Um Filme Falado» (2003), uma viagem pelo Mediterrâneo e pela civilização ocidental, e «Cristóvão Colombo - O Enigma» (2007).



Em 1987, o realizador estreou-se como encenador de teatro em Itália, a partir de um conto da escritora Agustina Bessa-Luís, parceria que se manteve também no cinema, na adaptação de outros argumentos.



Apesar da vertente intelectual e hermética muitas vezes associada à sua obra, o cineasta portuense afirmou diversas que o realizador que mais profundamente amou terá sido aquele que porventura mais sucesso comercial e popular teve em toda a história do cinema: Charlie Chaplin.



Tendo visto na respetiva época toda a obra de Charlot, que arrancou em 1914, não terá sido por acaso que, na participação que faz em «Viagem a Lisboa», de Wim Wenders (1994), Oliveira imita precisamente o pequeno vagabundo.



Em 2008 festejou 100 anos de vida rodeado de técnicos e atores, enquanto filmava em Lisboa «Singularidades de uma Rapariga Loura», que lhe valeu a Palma de Ouro de Carreira em Cannes, um prémio que se juntou ao Leão de Ouro de carreira que Veneza lhe entregara em 2004.



Em setembro de 2010 apresentou em Veneza a curta metragem «Painéis de São Vicente de Fora, visão poética», filme de 16 minutos. No mesmo ano, aquando do seu 102.º aniversário, regressou às salas uma versão restaurada e remasterizada de «Douro, Faina Fluvial».



«O Estranho Caso de Angélica», no qual recuperou um argumento com mais de 50 anos, foi também realizado em 2010.



«O Gebo e a Sombra», a partir de uma obra de Raul Brandão, e com um elenco de glórias que inclui Claudia Cardinale, Michael Lonsdale e Jeanne Moreau, foi, em 2012, a sua última longa-metragem.



O seu último trabalho foi a curta-metragem «O Velho do Restelo», a partir de textos de Luís de Camões, Teixeira de Pascoaes e Miguel de Cervantes.



Manoel de Oliveira era casado, desde 1940, com Maria Isabel Brandão Carvalhais, de quem teve quatro filhos.

Manoel de Oliveira, filmografia


Neste vídeo pode ver um pouco do Cemitério de Agramonte(Porto)
que existe desde 1855, onde existe o jazigo de família
e onde ficam a partir de hoje 03/04/2015 os restos mortais
de Manoel de Oliveira


1 comentário:

Dilmar Gomes disse...

Pois é amiga Irene, linda trajetória deste jovem português que morre aos 106 anos. Manoel Oliveira é um nome muito respeitado aqui no Brasil.
Um abraço. Tenhas uma ótima páscoa.