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domingo, 19 de outubro de 2014

Uma verdade incontestável !!!
 Leia até o fim, para entender a mensagem!!!
 
                         
 
       
 Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu uma estranha, recém-chegada à nossa pequena cidade.
Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com esta encantadora personagem e, em seguida, a convidou a viver com nossa família.
 
A estranha aceitou e, desde então, tem estado conosco.
 
Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.
 
Meus pais eram instrutores complementares... minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer.
 
Mas a estranha era nossa narradora.
 
Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.
 
Ela sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.
 
Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!
 
Levou minha família ao primeiro jogo de futebol.
 
Fazia-me rir, e me fazia chorar.
 
A estranha nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
 
Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez para que a estranha fosse embora).
 
Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas a estranha nunca se sentia obrigada a honrá-las.
 
As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse.
 
Entretanto, nossa visitante de longo prazo usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.
Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas a estranha nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.
 
Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pela estranha.
 
Repetidas vezes a criticaram, mas ela nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.
 
Passaram-se mais de cinquenta anos desde que a estranha veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era no princípio.

Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda a encontraria sentada em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...
 
Seu nome?
 
Bom... nós a chamamos
TELEVISÃO.
 
 
Nota:
Pede-se que este artigo seja lido em cada lar. Agora ela tem um esposo que se chama Computador e um filho que se chama Celular.
 
(obrigada, Cacilda)
 
 
       
 
 
 
 
 

12 comentários:

✿ chica disse...

Que beleza. Faz bem refletir! Muito bo,m! Valeu! bjs, chica

Cidália Ferreira disse...

Belo e verdadeiro texto!


beijos

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

papoila disse...

Muito engraçado!
xx

vendedor de ilusão disse...

Grande!... Excepcional, de admirar! Causou-me prazer ler crônica tão brilhante e realista... Não me ficou claro de quem é a autoria, mas isso não me impede de manisfestar minha concordância, além de parabenizar pela objetividade e criatividade descritiva.
Abraço.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Irenamiga

Mas que lição!?!?! Exemplar. Mas a vida que não é só Orçamento, aliás falso como o Iscariotes, nem só televisão, nem só computador, nem só telemóvel/celular; porém pelo andar da carruagem até parece que sim. Infelizmente.

Qjs

Luma Rosa disse...

Oi, Irene!
A minha família tem uma história peculiar com a TV. Quando surgiu, foi mandado um exemplar para degustação para a casa do meu avô. Minha avó era uma mulher bastante temperamental e que não se dobrou a novidade. Depois do jantar ligou a máquina e depois de um tempo, com todos hipnotizados e pediu que a devolvessem no dia seguinte. Esse fato era lembrado por minha mãe que dizia que a tv iria acabar com o tempo que restava para as famílias conversarem. Fui uma pessoa que na infância a tv não teve espaço e atualmente a tv em casa é um objeto que é utilizado apenas para quando tem algum jogo interessante de futebol.
Assino embaixo o texto de Cacilda.
Boa semana!!
Beijus,

O Árabe disse...

Muito bom, Irene! Muito bom mesmo, amiga! :) Boa semana.

Olhos de mel disse...

Poxa amiga, quanta verdade nesse artigo, viu? E discorrido de uma forma maravilhosa, e nos instiga a ler até o fim.
Agora é o celular, de fato.
Boa semana! Beijos

Élys disse...

Gostei!...Um texto bastante real.
Beijos.

O Profeta disse...

Escrevo para ti...Sabes que é para ti...
Os nomes não têm cor
São simples diagramas em conflito
Os nomes são muda sinfonia de sonata em desamor

Serei um barco vencendo rotas novas
Aplanarei as rugas de todas as montanhas
Vai arder novamente este sofrido coração
Hoje tive vontade de pintar uma oração


Terno beijo

MARILENE disse...

Por tudo que penso sobre ela, quando mal utilizada, adivinhei seu nome logo que comecei a ler o texto. E sua família segue o mesmo caminho. Cabe-nos controlá-los, eis que não pensam. Bjs.

Maria da Graça Reis disse...

Adorei o texto.
Muito original.Parabéns.